Grão em Grão

            Ainda podia sentir os grão de areia nos pés. A noite anterior havia sido sinistra. As memórias eram muitas e ao mesmo tempo muito poucas. Como os grãos de areia nos pés. Parecia muita areia, mas olhando de cima parecia só um pouco de sujeira. Era assim que seguia a vida nos últimos tempos. Cheia, muito cheia. Mas ao mesmo tempo vazia. Só vazia.

            Mas a noite anterior havia sido diferente. Talvez fosse um sinal de mudança, talvez fosse um sinal de tempos novos com cheiro de frescor das montanhas. Tempos inspiradores e sedutores viriam. Sem sombra de dúvida estava presenciando o início de um novo marco nos livros de história.

            Se lembrava de quando estudava para o vestibular. História era uma matéria indiferente. Não gostava nem odiava, só lhe restava caminhar. E Parecia um caminho infinito embora não fosse cansativo. Cada dia um fato novo na história do Brasil, do mundo e das guerras. Batalha de não sei das quantas e conquista das terras de ninguém. Pareciam fatos infactual infactuados. Como se um aluno que não prestava atenção na aula tivesse escrito algumas histórias fabulosas e mágicas para preencher os espaços vazios da sua apostila de história. Assim, essa apostila caiu em mão erradas e de rabiscos passou a ser enciclopédia. Agora é um fato.

            Com certeza a noite anterior poderia ser um desses rabiscos. Se escrevesse em uma apostila viraria fato. Tem coisas na vida que se você contar ninguém acredita. Tem coisas que se você contar não tem como duvidar. E o engraçado é que também tem coisas na vida que não se conta. Mas essas últimas são as mais incríveis. Porque ninguém sabe. É como aquele fato histórico daquele acidente que foi a causa daquela revolta. Por causa daquele acidente que matou a absolutamente todos que estavam por lá a população se revoltou e mudou o rumo dos trilhos daquele grande país. Mas se todos morreram como sabem tantos detalhes?

            E é na curva que a tangente acaba saindo torta. Ninguém sabe de nada e sai falando um monte de coisas por ai. E em uma dessas a enciclopédia sai toda errada. Escrita em linhas certas e fatos distorcidos. Mas ultimamente é isso que tem importado, as linhas certas. Pouco importa o que dizem. Importa que não seja de mim. Nem da minha família. Nem dos meus amigos. E assim continua-se virando a página.

            

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