Fuga

Fugia um pouco de tudo. Ou fugia de pouco em pouco. De pouco em tudo ou de tudo um pouco sabia que fugia. Não porque não tivesse coragem, mas porque tinha medo. Era como o ar que respirava: não podia ver, mas sabia que estava lá. Era o medo que existia. Parecia que quanto mais respirava, mais medo sentia. Mas as vezes parecia que quanto menos respirava, menos vivia.

As vezes de alguma coisa muito grande. Uma coisa tão grande que parecia jamais ter coragem suficiente para dar conta. E as vezes sobrava coragem. Nesses casos se sentia o máximo. Sentia como se o mundo estivesse aos seus pés. E de fato estava, teria que pisar no mundo pro resto da vida, querendo ou não. Talvez se fosse astronauta não. Mas então pisaria na Lua, ou em Marte. Talvez quem pise na Lua ou em Marte tenha muito mais coragem do que quem pisa na Terra. Mas o que importava é que para sempre pisaria nesse mundo, então teria coragem para sempre. Quanto mais andasse por esse mundo, mais coragem teria.

Sempre teria o mundo aos seus pés. E sempre teria o medo a sua volta. Eram constatações. Não eram opiniões. Não achava que podia mudar isso. Tinha certeza de que não podia. E além disso, mesmo se quisesse, não mudaria. Assim estava bom. Era a coragem e o medo andando juntos para sempre. Cada um do seu jeito.

E se o medo era o ar que respirava e a coragem era o mundo que pisava. Lhe surgiu uma indagação: Será que em uma vida, se respira mais ou será que se pisa mais?

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