Surfar ou não surfar? Eis a resposta

Muitos dizem que surfar não é um esporte. Uns dizem que é um estilo de vida, outros dizem que é uma religião. Alguns dizem que é arte. O fato é que é um dos poucos esportes que envolve “ser” aquilo que você faz: SOU surfista. Ninguém “joga” surf.

O surf é um dos poucos esportes que não tem um padrão para dar notas. O máximo que se pode tirar de um surfista em termos de número é o tempo em que ele ficou em um tubo ou o número de voltas que ele deu no ar. E mesmo assim, isso gera um bocado de discussões, já que é difícil definir exatamente onde o tubo começa e termina e em que posição e momento o atleta começou a rodopiar pelos ares.

Kelly Slater, foto: http://goo.gl/j2R41N
Kelly Slater, foto: http://goo.gl/j2R41N

Toda essa incerteza torna o surf místico. Não é possível explicar em palavras e notas o que de fato ele significa para quem está surfando e para quem está avaliando. A nota acaba saindo do coração. Qual o tubo mais bonito? Qual o surfista com mais técnica? Qual o real objetivo do surf? Pegar ondas, pegar tubos, fazer manobras? Tudo isso é muito subjetivo, muito difícil de estabelecer normas, medidas, regras e opiniões concretas. São tendências que mudam com o tempo. Em outras épocas bastavam algumas rasgadas para se tirar uma nota 10. Hoje em dia já não é o bastante. A criatividade e a capacidade dos surfistas trazem a tona manobras novas todos os dias. A tecnologia também colabora para essa mudança dinâmica. Sem os jet-skis e os equipamentos de segurança não seria possível surfar ondas enormes de 70 pés. Que tamanho de onda os surfistas das próximas gerações vão encarar? Qual o tamanho da emoção que eles vão semear nos fãs?

Gabriel Medina
Gabriel Medina

Tem gente que ganha a vida competindo, mas também existem atletas que deixaram de competir para ganhar a parafina de cada dia de outras maneiras. São os freesurfers. Aqueles caras que muita gente gostaria de ter uma vida igual. Eles ganham dinheiro de patrocinadores e viajam para lugares distantes e paradisíacos, sem crowd e com altas ondas. Roupas, carros e gadgets de marcas patrocinadoras também entram no pacote. Mas não é uma relação apenas comercial a base de muita grana. Esses caras não fazem tudo aquilo que o dinheiro manda. O surf costuma vir em primeiro lugar. E de uma coisa ninguém pode discordar: surfista costuma ser um bicho teimoso.

Foto: http://goo.gl/RDp22M
Rob Machado, foto: http://goo.gl/RDp22M

Até agora eu aprendi que existem 2 tipos de gente que ganham a vida surfando. Os surfistas profissionais que participam de campeonatos lutam pelas incertas pontuações, sofrem muita pressão e tem um mar de câmeras apontadas para sua vida e seu esporte. E os freesurfers, que surfam por diversão e pelo amor ao esporte e estão em muitos filmes de surf, peças publicitárias e ditam um estilo de vida surfista. Nem um dos dois é melhor que o outro, são apenas estilos de vida diferentes. São escolhas. E claro, não são escolhas fáceis. A grande dificuldade de escolher é renunciar a outra opção. E diga se de passagem que são escolhas que dependem também de idade e condicionamento físico. Não é qualquer um que participa das etapas mundiais da mesma maneira que nem todo surfista desliza com uma Alaia por ai.

É como se você rema ou deixa a onda passar: o surf é cheio de escolhas. Desde fazer ou não um bate volta. Acordar mais cedo para cair na água ou dormir mais e cair no final da tarde. Priorizar a balada ou o mar. Usar ou não usar leash. Escolher o tamanho da prancha. O tipo de John. Surfar ou não surfar? Eis a questão.

E ainda tem um terceiro tipo de surfista. Que faz ainda mais escolhas para poder surfar. Que renuncia de ainda mais coisas para poder pegar uma onda e sentir aquilo que só quem surfa sente. Aquela sensação que não pode ser explicada em palavras, que transcende a razão. Esse terceiro surfista é aquele que não ganha dinheiro para surfar. Que escolhe deixar as baladas de lado para ir pra praia. Que briga com a namorada pra ficar uma horinha no mar. Que se mete no fim do mundo pra pegar uma onda melhor. São aqueles que surfam pela sensação indescritível e transcendente de estar no out, vendo o nascer do Sol, remando em uma onda. São os surfistas que trabalham mais pra poder fazer uma trip insana. São os malucos que acordam cedo, no frio, só pra ver se a previsão tá certa. São aqueles que pensam sobre os campeões e sobre os freesurfers, que vivem um pouco de cada derrota e cada vitória. Que sentem na pele um wipeout extremo.

Esses surfistas, são aqueles que dividem sua vida entre uma porção de sonhos e trabalhos, mas descer uma onda sempre vai estar entre as suas prioridades. Talvez eles não saibam explicar o porquê desse amor tão grande por uma prancha acompanhada de uma onda. E essa é melhor parte do surf: eles não precisam saber o porquê, só precisam surfar. Surfar para transcender.

E se você é um desses, que surfa para transcender, vale assistir o Manifesto Surfari e descobrir que tipo de surfista é você:

Fonte do Manifesto

Dá uma viajada no surf da década de 70 aqui!

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