Entrei e Olhei

Entrei e olhei em volta. Ela não estava lá. Parecia ser um costume novo ou algo do tipo. Como se fosse da boca pra fora eu gritei seu nome dizendo que havia chegado meu bem. Nenhuma resposta.

Vi gotas pretas escorrendo pelo teto. O filme era preto e branco. Por isso só descobri quando surgiu o cadáver que as gotas eram de sangue e não de qualquer tipo de óleo ou algo assim. Foi nesse instante que parti. Levantei da cadeira, dei as costas para o filme do cinema e disse oi para a vida colorida que havia ali fora. Nunca gostei de ver cadáveres como aquele ou sangue e patifarias como essa. Talvez fosse bom que se tivesse mantido aquela lei de que abrir um corpo era pecado.

Me diriam que a medicina como conhecemos hoje não existiria. É verdade. Mas viver uma vida de suposições não leva a nada. Não há de que inventar situações incríveis que jamais ocorrerão. Previsionar o futuro é algo aceitável. Embora seja um levantamento de suposição não deixa de ser em cima de fatos reais e concretos. É uma viagem pelas infinitas possibilidades que temos na nossa finita vida.

Por isso que gosto de dormir. Foi o que fui fazer assim que sai do cinema. Dormi para viajar. Dormi para conhecer lugares mágicos. Para viver um eu de mentira. Um eu de algodão doce colorido. Um mundo de texturas, sabores e cores. E quanto mais eu dormia, mais longe ia. E foi assim que assisti um filme. O filme de mim. Um filme da vida de um filme. Um sonho infinito em um mundo infinito de possibilidades. Um lugar de mim, dentro de mim mesmo. E senti. Que ia acabar, que meu sonho me deixaria e eu acordaria ali, no mesmo lugar. No lugar de sempre, no lugar preto e branco, das telas de cinema. Até que se passou o tempo e eu vi.

Era um corredor escuro com luzes nas costas. Quanto mais aquele homem se aproximava de mim mais eu podia vê-lo. As luzes batiam na suas costas e seu corpo era marcado pela sombra. Ele chegava cada vez mais perto. Eu não podia ver seu rosto. Faltavam alguns passos. Seu corpo parecia maior e mais sombrio com a sombra que se dava pela distância da luz. Então parei. Minha respiração cessou e eu vi. Vi a mim mesmo, saindo do cinema e seguindo.

Seguindo para casa dormir. Seguindo para o sono, sonhar. Viveria minha vida em outro lugar.

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