Eterna Idade

Foi então que se deixou levar pelo caminho a sua frente. Sabia qual era seu destino, mas insistia em acreditar que qualquer caminho levaria até lá. Deixou as placas de indicação da vida de lado e resolveu se virar sem ajuda de ninguém. Permaneceu imóvel, apenas seguindo. Crente de que chegaria, qualquer que fossem suas escolhas.

Logo se viu só, em um lugar que jamais havia pisado. Um lugar que era longe suficiente do seu destino para pensar em parar, repensar e dar meia volta. Pensou em pedir ajuda a alguém. Mas era uma jornada que tinha que completar sem ajuda. Que tinha que terminar por conta própria.

Passou por lugares que nunca pensou em estar. Viu coisas que nunca pensou em ver. Conheceu pessoas que jamais pensou em conversar. E foi uma experiência incrível.

O novo é incrível. Não por sua incerteza ou por despertar na alma humana sensações que jamais experimentara. Mas pelo fato de ser capaz de vivenciar algo diferente. Um desfio que coloca em prova a capacidade de se adaptar e de improvisar. Um desafio que coloca em dúvida a bagagem que se leva e a energia que se tem.

Talvez o novo seja aquilo que recarrega as energias, que faz encher o tanque de combustível da vida. Se todos os dias experimentasse um dia completamente novo, completamente distinto dos demais, pudesse viver para sempre.

A fórmula da eternidade estava ali, naquele caminho sem sentido, que de alguma maneira levaria até seu destino. Talvez tivesse que andar muito mais para chegar lá, mas seria uma caminhada muito mais intensa que a paisagem cotidiana igual e mesma de sempre. Não tinha certeza se teria capacidade de chegar. Mas capacidade é algo que se conquista. E o novo é um dos ingredientes dessa fórmula mágica.

Percebeu que seu cotidiano não estava assim tão longe do novo. Bastava ter olhos e mente abertos para olhar o que não foi olhado, dizer o que não foi dito e escutar o que não foi falado. Como se tudo estivesse ali o tempo todo, mas ninguém tivesse percebido.

Isso lhe deu vontade de ver o mundo lá fora. O mundo que já conhecia, só que com outra postura, outra maneira de viver. Então fez um retorno e veio vindo no caminho de volta. O caminho de volta de um caminho de ida para lugar nenhum. E o que mais impressionou é que, ao passar pela mesma trajetória que havia passado, só que no sentido inverso, a sensação foi a mesma. A sensação insana do novo. A sensação de liberdade de simplesmente poder transitar por diversos lugares, se relacionar com eles e levar consigo alguns frascos do elixir da vida.

E ao chegar no seu cotidiano parou. Parou e olhou. Colou os ponteiros do relógio e pode ver que ali, onde sempre estivera, era um lugar que jamais havia visto, jamais havia estado. Era um lugar novo.

Foi então que lhe surgiu uma dúvida. Será que o lugar que era novo ou será que o viajante que se transformou? E foi isso que lhe deu certeza de algo: viver para sempre não é algo que depende do tempo, mas depende de quem é você diante daquilo que lhe rodeia. E a cada “novo” que lhe aparecia, deixava de ser quem era e passava a ser um outro alguém. Que carregava consigo não só os caminhos anteriores mas a vontade de traçar novas rotas.

Aquela vontade que não morre, aquela vontade que é a essência do viver. Vontade de se perder de novo, para depois se reencontrar e perceber que no fundo, sempre estivera ali: o mesmo de sempre, só que preso a eternidade.

2 comentários

Conta o que você achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s