Cativeiro

Chove lá fora.
Faz frio.
Aqui dentro é bom.
Aqui faz calor.
Lá é ruim.

 

Os vi subindo as escadas com pressa. Falavam em cochichos olhando em volta, como se estivessem tramando um plano para dominar o mundo, salvar os pandas ou dar o golpe presidencial.

Combinavam um namoro as escondidas.
Combinavam um beijo.
Combinavam uma conversa para mais tarde.

Ela usava uma roupa formal. Estava bonita. De longe se via que estava perfumada. De perto seria possível senti seu sabor.

Ele estava tomado pela elegância. Era esbelto. Segurava em suas mãos um chapéu. Tinha a impressão de que tinha tirado para a moça. Ela merecia.

Eles eram um casal.

Percebi um sorriso e uma despedida próxima, mas nem tão próxima. Suas bocas não se tocaram. Talvez fosse um amor antigo.

Talvez fosse um amor novo. Quem sabe não haviam se conhecido a pouco. Quem sabe o interesse um pelo outro, que me pulava aos olhos, não fosse algo recente. Eles eram bonitos juntos.

Não haviam câmeras nem roteiros.
Não haviam regras nem duetos.
Não haviam graças que não fossem cortejos.

Viraram as costas e seguiram.

Eu achei que fosse acabar.

Mas eles se viraram e acenaram, para ter certeza que o seu par ainda estava lá. Que não fora uma ilusão.

Que os olhares eram verdadeiros.
Que os toques eram certeiros.
Que ali nascia um amor em cativeiro.

 

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