Mediocre idade

Ele me encara. Percebi que já me olhava fazia algum tempo. Mas eu estava distraído trabalhando. Olhando fixamente para caracteres que dialogavam com meu inconsciente. Eu olho para ele e ele não desvia o olhar. Olha fixamente. Vira as costas, ainda me olhando e começa a se dirigir em direção a porta de saída. Ele vai embora, assim, todos os dias no mesmo horário. Como quem tem um compromisso marcado ele sai sem pensar duas vezes. E eu permaneço. Parado, permaneço. Ele me lembra que está acabando o tempo e eu preciso me mexer. Fazer que nem ele, quando der meu horário, ir embora. Estar em movimento, estar constantemente aceitando a transformação que é inevitável e incrível. Preciso me tocar que a vida não tem contratos, que não é vivida em blocos, nem em fases. A vida é essa eterna ida e vinda da maré. Sem controle, sem portos seguros.

Todos eles ficam escuros quando o Sol vira as costas e vai embora.

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