Bis do futuro

Escuta a versão falada aqui:

 

Eu sinto um cheiro que não é seu. 

Não é seu. 

É um cheiro que eu inventei de você.

Cheiro mútuo. Que não existiria se não fosse eu o sentindo 

Um cheiro que não é de suor. 

Nem de perfume. 

É um cheiro que está abaixo da sua pele.

Que sai do coração. 

É o cheiro do seu olhar quando me repara. 

Cheiro de quando sua voz chega nos meus ouvidos. 

E meus pêlos mostram que escutaram,

arrepiando-se. 

É o cheiro do calor de quando você me toca

e eu escuto nossas respirações ofegantes

tomarem conta uma da outra. 

A gente coexiste: 

O cheiro e eu.

Não é ilusão. 

Ele não foi idealizado por mim. 

É você também. 

Nenhum de nós três existiria sem o outro. 

É uma composição daquilo que existe entre nós. 

Aquilo que existe entre nós.

Daquilo que nos afasta

E nos aproxima. 

Do magnetismo cardíaco: do coração.

Éssi Dois. 

Esses dois…

Quem vê pensa que é um casal apaixonado. 

Mas parece que é diferente. 

Que não se resume aos estereótipos 

Estéril tipos de amor

É mais sinestésico.

Menos racional, menos construído.

Menos obra de humano. 

Mais coisa de outro plano.

Descompromissado. 

Desobstruído

de vias de regras do coração.

O script foge e as cortinas se ausentam para namorar. 

Os holofotes se entreolham

E é a chance da platéia, 

de no escuro

Pedir bis 

Pra um amor de verdade

Pra um amor de vanguarda. 

Pra uma peça sem falas. 

Sem atores.

Sem diretores. 

O público pede bis de um teatro que ainda não começou. 

 

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